A inclusão escolar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um desafio que exige a articulação de diferentes profissionais para garantir um ambiente de aprendizado adequado e acolhedor. Nesse contexto, o Acompanhante Terapêutico (AT) desempenha um papel essencial na mediação das interações e no suporte às necessidades específicas do aluno, promovendo sua autonomia e participação ativa no ambiente escolar.
O Acompanhante Terapêutico é um profissional treinado para oferecer suporte individualizado a crianças com TEA, auxiliando-as em situações que envolvem socialização, comunicação e regulação emocional. Seu trabalho se baseia em técnicas da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e outras abordagens pedagógicas e psicológicas voltadas à educação inclusiva.
Principais Funções do AT na Sala de Aula:
1. Facilitação da aprendizagem– O AT adapta estratégias didáticas e oferece reforço positivo para estimular o desenvolvimento das habilidades cognitivas do aluno.
2. Mediação das interações sociais – Crianças com TEA podem ter dificuldades em compreender regras sociais e interagir com os colegas. O AT ajuda a promover a inclusão e a interação social.
3. Suporte na comunicação – Para crianças não verbais ou com dificuldades na linguagem, o AT pode utilizar comunicação alternativa e aumentativa (CAA) para melhorar a expressão e a compreensão.
4. Gerenciamento de crises comportamentais – O AT identifica gatilhos para comportamentos desafiadores e implementa estratégias de intervenção, ajudando a manter um ambiente tranquilo e propício ao aprendizado.
5. Promoção da autonomia – Um dos principais objetivos do AT é estimular a independência do aluno, reduzindo gradualmente a necessidade de mediação direta.
A presença de um Acompanhante Terapêutico na sala de aula beneficia não apenas a criança com TEA, mas também toda a dinâmica escolar. Professores recebem apoio especializado para lidar com demandas específicas, enquanto os colegas têm a oportunidade de aprender sobre diversidade e empatia. Além disso, a atuação do AT fortalece a parceria entre escola, família e equipe multidisciplinar, contribuindo para um desenvolvimento mais equilibrado e efetivo da criança.
Apesar dos benefícios evidentes, a presença de ATs ainda enfrenta desafios, como a falta de regulamentação clara sobre suas atribuições e a dificuldade de acesso a esse serviço em algumas instituições. Para superar esses entraves, é fundamental investir na formação de profissionais capacitados, no desenvolvimento de políticas públicas inclusivas e na conscientização da sociedade sobre a importância da educação inclusiva.
A educação inclusiva é um direito de todas as crianças, e o Acompanhante Terapêutico tem um papel essencial na concretização desse princípio. Garantir a atuação eficaz desse profissional é um passo essencial para tornar a escola um espaço verdadeiramente acessível, acolhedor e transformador.
Nayara Sousa
Fundadora e Diretora do Centro de Ensino do Agreste. Pedagoga. Mestranda em Educação – Orlando/Florida-EUA. Especialista em Gestão de Pessoas. MBA em Gestão Empresarial. Enfermeira. Especialista em Saúde Pública e Vigilância Sanitária, Saúde da Mulher.